rascunhos

Páginas soltas de um caderno queimado á beira mar por três MENINOS que se alimentam DA LUZ...

dezembro 09, 2015

tempo



Tempo,
Qual é a tua idade?

O que és ó tempo?
E a qual a tua relatividade?

O que sou eu para ti?
Quantos como eu já tu viste passar?
Será que de mim te irás lembrar?

És a escuridão,
onde tudo começa e acaba,
és a genese da criação
e o fim onde tudo desagua.

passo por essa infinidade,
que não é mais do que a tua totalidade
e com uma tal brevidade
que nem ver me consegues...

Mas penso que mesmo curto e breve,
não cedo à escuridão e encho o peito de ar,
para te anunciar, para te desafiar...
e a plenos pulmões afirmar
que mesmo curto e breve,
não me deixarei diminuir
pela brevidade que possas achar
que a minha vida é!

julho 03, 2015

Rejeição


É um não quer,
ou melhor,
um não conseguir ser querido...

Rejeição é largar, é vomitar,
é depor e é recusar!!
É afirmar que já não se quer amar!

E dói, muito,
muito mesmo,
lá bem dentro,
no fundo!

sensação única,
de mal estar geral,
como uma ferida dentro de mim!
que por estar fechada
não consigo sarar,
uma vez que não consigo
deixar de te amar!

É dor que se sente constantemente,
como nada do que já senti!
Está sempre presente
dentro da minha mente.

não a consigo bloquear
por mais que tente.
lá acabo por me habituar,
e talvez até a gostar!

Faz-me sentir,
coisa rara nos dias que correm,
sinto, logo estou vivo
e agradeço cada segundo
que tenho neste mundo.
mesmo a sofrer
não quero parar de viver!!


maio 25, 2015

final frontier



Olho para o céu receoso, com medo do que possa cair.
Qual madame sem guarda chuva em pleno inverno,
Penso nos estragos que podem surgir...
Medo do céu... será isto o meu inferno?

A última fronteira mesmo à minha frente,
e eu sem nunca a conseguir ver...
Tive em menino o sonho,
de astronauta vir a ser!
E como sonho de menino foi,
hoje astronauta já não sou.

Sou com quem estou e para onde vou,
sou aquilo que dou e de quem me defraudou!


maio 18, 2015

Futuro

por terra, mar ou ar
o importante é continuar,
mesmo sem rumo ou direcção,
é essa a sua condição...

Sempre a procurar,
sempre sem parar...
Por essa coisa chamada Futuro!
Lá vai ele a avançar,
não dorme nem come...
só sabe caminhar...

Busca o amanhã sem abrandar,
pois tem pressa de lá chegar...
Sempre assim...
sem nunca para trás olhar!!
Diariamente...
sem nada aproveitar!!
Infelizmente...
ao passado já não pode voltar...

Em vez de parar,
parar para pensar...
(daquilo que foge
ou aquilo que procura)
passa os dias a correr
por algo que nunca vai alcançar,
o futuro,
o seu futuro...

esse futuro inalcançável,
que quando o apanhamos,
o deixa de o ser,

esse futuro implacável,
que quando o fixamos,
deixamos de viver !


maio 15, 2015

Mostrengo

Interrogações sem sentido?
para respostas inconsequentes...
Uma sociedade de fúteis
e uma cambada de inúteis

Governados pelo capital implacável
que tudo atropela pelo lucro fácil!
Um consumismo desenfreado e desagradável,
Que todos engana com promessas de felicidade

Essa necessidade de propriedade
a opulência, a inveja, a esperteza,
o ter mais que o vizinho...
Que tristeza....
 Que sociedade é esta?
Milhões, e cada um sozinho...

E o que mais me faz sofrer?
é saber!!!
Saber que no lá no fundo...
"três vezes grosso e imundo"
Mostrengo também eu sou!

março 18, 2015

O caminho



 
















Caminho o caminho caminhando,

Ora devagar ora deambulando

Sem ver onde piso, ou o que piso…

Cego, sem nada vislumbrar

Mas devagar…

Muito devagar…

Lá continuo a caminhar.




Vou devagar para não me enganar,

Não sei que caminho caminho devagar,

Nem para que caminho me irá levar…

Tento pensar, preciso de me focar

Faço um último esforço para me concentrar…

Mas nada!!!!!

apenas o caminho e eu a caminhar…



Sinto um desconforto desconcertante

Por não saber para onde vou.

Uma ânsia revoltante

Pois nem sequer me lembro porque vou,

Nem quando me decidi a ir,

Nem porque decidi ir.



Qual ateu em aflição,

Brado aos céus por salvação!

Mas ninguém me vem salvar

Nem sequer orientar…

Começo a desesperar

E ao inferno peço a tentação,

Apenas para parar de caminhar

E para nunca mais ter de pensar!