rascunhos

Páginas soltas de um caderno queimado á beira mar por três MENINOS que se alimentam DA LUZ...

junho 28, 2006

Sol


Sol, calor, felicidade aparente, talvez duradoura
É necessário abrandar, parar, escutar e observar.
Deslumbro-me e consigo encontrar o meu corpo,
Parado no solo enquanto estou a flutuar
Entre anjinhos vestidos de branco, a sorrir...
A vida é um dom, apenas alguns, iluminados,
a conseguem aproveitar, verdadeiramente,
absorvendo todos os segundos,
Sem soltar um soluço perdido em algum copo vazio.

Acabei por perceber...
Embora um pouco atrasado...
“que, os grandes princípios são assim” !

junho 16, 2006

Oh!! Raiva!!

Todos os dias são minutos,
segundos desejando a desgraça .
E no fim tudo se encontra
tudo se pudre na mesma carcaça.
Tudo ascende na aurora para o capitulo final,
e mesmo chegada a hora
tudo corre,tudo grita!
Urge seguir para o curral!

Todo o açúcar é agora azedo,
toda a doçura é agora amarga,
agora que a vida não alarga
e que por mais que me subtraia
a doçura de me alargar
sempre sofrerei em nome da vida
se a própria vida não me encurtar!

Escravos da situação
presos às amarras temporais!
Somos livres em comunhão
e presos às materias mentais!

Vacilamos no abismo
presos à propia autodestruição
e normalmente caímos por preguiça
em sermos seres fúteis, duplicados,
sedentos de ouvir a missa.
Pobres rascunhos rasgados,
pobres doutrinas em tão pobres premissas.

junho 10, 2006

I don't drink coffee I take tea my dear

Sinto a tua falta na minha presença,
Preciso de ti na minha ausência,
Penso em ti minha (In) consciência,
Será meramente coincidência?
Acredito que não, mas penso que sim
Ou quero pensar que é assim...
Ninguém gosta de sofrer por amor,
Mas tenho que aguentar este calor,
Que vem de um lugar desconhecido
Dentro do meu corpo empobrecido.
Acordo a meio da noite a rezar
Para te conseguir parar de amar,
Embora jamais consiga acreditar
Que DEUS veio para me salvar.
És tudo aquilo por que me faz lutar,
És aquilo que hoje me fez levantar,
És gelo escaldante,
Uma ferida profunda
De sangue refrescante,
Que lava a minha vida imunda...

E quando a bola atinge a rede
Para qualquer lado pode cair
Perdendo ou ganhando acabo por sair...
Mas és sempre tu que te vais a rir...
Infelizmente....

junho 08, 2006

sonho magro

Deitamo-nos vazios
e às vezes perdidos
com os braços caídos
e os olhos abertos
os dedos dos pés frios.
Sonhamos com a revolução
embora não saibamos o caminho certo ,
e sem os pés no chão
o caminho para a Lua é assim,
mais perto.

Outros dias,
Ah!! Esses outros e tantos dias...
Sem jogos e maquinarias,
sem porcarias.
Essas noite quentes
em que todo o ser se acarinha com a sua alma,
que apagam todas as noites deprimentes.
Que nos tornam descrentes
injectando-nos a calma.

junho 02, 2006

Tic-Tac

Tic-Tac faz a bomba no meu coração...
Aquela que quiseste lá deixar.
Prime o botão, e vais ver a destruição,
mas acredita que não me consegues matar...
Sou fraco de mais para rebentar.

Nesse impasse fumas esse cigarro arrogante,
elaborado por partículas de metal.
Olhas para mim como se fosses gigante,
mas não és mais que um assustado animal.

Acabas por não aguentar a pressão, merdosa
e, deste-me tempo para me afastar,
és nada, uma criança medrosa...
que nada consegue assassinar..

Talvez num dia tristonho te consigas aperceber
quando tiveres sozinha desesperadamente a procurar,
por algo que jamais conseguirás alcançar,
que eu continuei aqui a arrefecer...

junho 01, 2006

Rascunho

Rascunho que me desunho em sentido figurado, qual génio maltratado não deito nada fora.
Não leias, não creias, ‘bora escrever como um acto de amor extinto de quase tudo, fora a saudade, muito embora o que pressinto seja a vida turva em mim.
E recurvo-me assim na
claridade obscura de um princípio sem fim.
Precipito-me enfim, só, no meio da multidão, em sobrevivência de ficção e não dou nem aceito qualquer lição.
Para má sorte só a morte por ciência, e como Norte a
violência de morrer sem matar de novo.
Escuto o silêncio que ilumina a gruta desta alma banal, e fico
"passado", presente e futuro, sem saber o que procuro no que fiz sem prever, como quem diz sem escrever, remoendo por um triz quase impuro este ávido prazer.
Rascunho que me desunho e não deito nada fora, muito embora nem de dentro, não me lembre de deitar.