rascunhos

Páginas soltas de um caderno queimado á beira mar por três MENINOS que se alimentam DA LUZ...

julho 24, 2006

Novas de sempre I

Há sempre mais um poema na vida de quem ama com o coração.

Nem sempre os novos poemas se escrevem com novas palavras.

Só o tempo e a razão nos podem perder
.

julho 17, 2006

Os grandes príncipios são assim

Há sempre um som quando se escreve,
se se deve ou não,
se se ama, se se odeia,
e,
ou se diz ou se rodeia,
ou se chora, ri ou não.

Há sempre um rasgo de demência que nos despe a mão e veste a alma.

Que pena tenho de não ter calma,
para ter a pena nua, de tudo em mim,
e a alma quase crua,
de quase tudo … enfim.

Há sempre um canto em cada mente,
quando se sente, sem mentir,
tudo aquilo que se escreve.

Se há algum segredo…
só no ritmo,
qual batente,
e na dor qual combatente,
com coragem sem pudor,
nem juízo por se expor.

Também confesso, nem preciso.

Nesta era de fraqueza,
de massacres e horrores,
são mais as prosas às dores,
do que os versos à beleza.

No fundo, no fundo,
fica o som e o eco em meio segundo no silêncio que repenso.

Será um vislumbrar do fim?

O canto que todos sabemos e sonhamos não cantar?

Seja lá o que for, aqui fica e vai ficar, para alguém menos para mim.

Sempre mais perto do fim,
os grandes princípios são assim…

julho 09, 2006

JAZZ

Um velho sem cabelo sendo baixo
Mas com óculos numa guitarra
alguém preto num magnifico contrabaixo
Um ser lunático preso numa bateria
Um mariola soprando uma flauta que sorria,
E por vezes um saxofone .
E para completar, uma menina
Pendurada num microfone
Com uma voz cristalina....
Juntos por uma crença
O jazz, esse magnifico culto
Que sabe definir a sua essência

Para completar
Um magnifico expresso
E algo para fumar
Por escassos momentos
Divaguei por pensamentos
E senti-me o rei do universo
Sonhei que estava no paraíso...
Transcrevo tudo para verso
Para amanha não me esquecer
O momento magico que acabo de viver...

julho 07, 2006

Calor sufocante

O calor teima em molestar

o meu corpo inexistente, ou talvez,

apenas invisível, algo pouco credível

eu apenas observo a borboleta a cortar

as amarras que a prendem ao casulo que deixou de amar.

Ou será que é um pequeno girino a ganhar

Pernas e braços para concluir a transformação...

Não sei, apenas reina a confusão,

dizes que sou racional, como se não consigo pensar...

apenas me consigo alimentar e às vezes respirar...

mas isso é tudo tão confuso, um enorme absurdo

será a Terra redonda? o calor é quente? Eu existo?

Como é que uns bites se transformam em caracteres ?

Como é que conseguimos decifrar esse hieróglifos,

que são meras radiações do espectro visível a fazer contraste

com as radiações envolventes...

que captas com umas lentes...

lentes orgânicas que apelidas de olhos, uma complicação...

de nervos, vasos, sucos, mucos, linfa, sangue

que se agrupam nessa gigante mas diminuta compilação...

que te oferece a “VISÃO”...

electrões vacilantes envolvem os protões...

mas nada existia sem os neutrões...

é tudo a mesma merda, com essas três minúsculos partículas

o cheiro é que nunca é o mesmo...

completamente a atrofiar

porque o calor me está a molestar

“quebro o gelo” para me refrescar...