rascunhos

Páginas soltas de um caderno queimado á beira mar por três MENINOS que se alimentam DA LUZ...

dezembro 27, 2008

Tempo de lá

Tempo de Lá

Faz tempo que não saía de lá.
Não que não que não saísse, mas ficava em mim como um poço de silêncio.
É o costume, rugimos como um leão num poço profundo numa noite vazia, e fugimos do eco convencidos e inchad0s porque ali, instantaneamente, dominámos a comunicação e, num ápice por lá, dissémos sem riscos o que calámos durante o danado de um dado tempo.
Óbvio... difícil é a exposição.
E... quando uns anos mais tarde voltamos a ler algo que escrevemos...
Se tivermos muita sorte tem uns erros e umas grosseiras falhas gramáticais e a conversa vai por aí.
Uf! que alívio.
Ninguém falou sequer das ideias.
Outras vezes, por sorte alguém nos diz, "quanto ao que quererias dizer, está algo confuso, tu hoje já escreves de outra maneira".
"Sabes, por vezes queremos dizer tanta coisa que acabamos por criar um puzle que já nem nós deciframos!"
Uf! que alívio.
Que sorte, caímos desamparados de lá e ninguém nos ouviu chorar.
Confesso que também é bom assim.
Este "espaço sagrado", para mim, é muito mais do que uma sala onde se lêem poemas.
Este espaço é um poema, onde se cresçe como que de um jardim todo feito de lá.
Reparei hoje com respeito que de quatro passámos a três.
Hoje, como sempre, reparei que o espaço está vivo, sendo eu um tão esporádico viajante da lá.
Que orgulho.
Mas, esta magia que vos dá a força fraterna de fazer viver este espaço tem um segredo de lá, de uma fada e de uma varinha de pintar poemas, que um dia teremos, ou melhor, tereis, de contar cantando.
Eu sou apenas um humilde e honrado convidado que, sabe-se lá porquê, por vezes, fujo do tempo e caio de lá.
ju sabbo 17de67