Calor sufocante
O calor teima em molestar
o meu corpo inexistente, ou talvez,
apenas invisível, algo pouco credível
eu apenas observo a borboleta a cortar
as amarras que a prendem ao casulo que deixou de amar.
Ou será que é um pequeno girino a ganhar
Pernas e braços para concluir a transformação...
Não sei, apenas reina a confusão,
dizes que sou racional, como se não consigo pensar...
apenas me consigo alimentar e às vezes respirar...
mas isso é tudo tão confuso, um enorme absurdo
será a Terra redonda? o calor é quente? Eu existo?
Como é que uns bites se transformam em caracteres ?
Como é que conseguimos decifrar esse hieróglifos,
que são meras radiações do espectro visível a fazer contraste
com as radiações envolventes...
que captas com umas lentes...
lentes orgânicas que apelidas de olhos, uma complicação...
de nervos, vasos, sucos, mucos, linfa, sangue
que se agrupam nessa gigante mas diminuta compilação...
que te oferece a “VISÃO”...
electrões vacilantes envolvem os protões...
mas nada existia sem os neutrões...
é tudo a mesma merda, com essas três minúsculos partículas
o cheiro é que nunca é o mesmo...
completamente a atrofiar
porque o calor me está a molestar
“quebro o gelo” para me refrescar...
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